segunda-feira, 6 de julho de 2015

Estado de Poesia (CÉSAR, Chico)



Para viver em estado de poesia
Me entranharia nestes sertões de você
Pra me esquecer da vida que eu vivia
De cigania antes de te conhecer

De enganos livres que eu tinha porque queria
Por não saber que mais dia menos dia
Eu todo me encantaria pelo todo do seu ser

Pra misturar meia noite meio dia
E enfim saber que cantaria a cantoria
Que há tanto tempo queria a canção do bem querer

É belo vês o amor sem anestesia

Dói de bom, arde de doce, queima, acalma
Mata e cria
Chega tem vez que a pessoa que enamora
Se pega e chora do que ontem mesmo ria
Chega tem hora que ri de dentro pra fora
Não fica nem vai embora é o estado de poesia

Chega tem hora que ri de dentro pra fora
Não fica nem vai embora é o estado de poesia

E aí hoje completamos 14 anos do primeiro beijo e 2 anos de casados no papel.



"E aí você surgiu na minha frente. E eu vi o espaço e o tempo em suspensão. Senti no ar a força diferente de um momento eterno desde então. E aqui dentro de mim você demora já tornou-se parte mesmo do meu ser. E agora, em qualquer parte, a qualquer hora. Quando eu fecho os olhos, vejo só você. E cada um de nós é um a sós. E uma só pessoa somos nós. Unos num canto, numa voz. O amor une os amantes em um ímã. E num enigma claro se traduz. Extremos se atraem, se aproximam. E se completam como sombra e luz. E assim viemos, nos assimilando. Nos assemelhando, a nos absorver. E agora, não tem onde, não tem quando. Quando eu fecho os olhos, vejo só você. E cada um de nós é um a sós. E uma só pessoa somos nós. Unos num canto, numa voz." (Obrigado Chico César por traduzir nossa história) E aí hoje completamos 14 anos do primeiro beijo e 2 anos de casados no papel.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Eu quero ir com você. (FLÁVIA WENCESLAU)



Toda paz que um dia sonhei
Esse amor que por ti eu pensei
Uma flor que em meu peito floriu
E o mundo inteiro agora viu.
No caminho que a vida tem razão
No carinho que vem da tua mão
Eu quero ir com você.
No teu gesto tão lindo de me olhar
No teu jeito sereno de sonhar
Eu quero ir com você.
Já não há teimosia em resistir
Já não há nenhum medo de seguir
Um céu imenso a dizer
Quero ser teu o verso e canção
Te cuidar e entregar meu coração
Eu quero ir com você.
Beira de rio e de mar
Nossos segredos guardar
Quero ir com você por onde o amor nos levar.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A ilusão do migrante (DRUMMOND)

Quando vim da minha terra,
se é que vim da minha terra
(não estou morto por lá?),
a correnteza do rio
me sussurrou vagamente
que eu havia de quedar
lá donde me despedia.


Os morros, empalidecidos
no entrecerrar-se da tarde,
pareciam me dizer
que não se pode voltar,
porque tudo é consequência
de um certo nascer ali.


Quando vim, se é que vim
de algum para outro lugar,
o mundo girava, alheio
à minha baça pessoa,
e no seu giro entrevi
que não se vai nem se volta
de sítio algum a nenhum.


Que carregamos as coisas,
moldura da nossa vida,
rígida cerca de arame,
na mais anônima célula,
e um chão, um riso, uma voz
ressoam incessantemente
em nossas fundas paredes.


Novas coisas sucedendo-se
iludem a nossa fome
de primitivo alimento.
As descobertas são máscaras
do mais obscuro real,
essa ferida alastrada
na pele de nossas almas.


Quando vim da minha terra
não vim, perdi-me no espaço,

na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.
Lá estou eu, enterrado
por baixo de falas mansas,
por baixo de negras sombras,
por baixo de lavras de ouro,
por baixo de gerações,
por baixo, eu sei, de mim mesmo,
este vivente enganado,

enganoso.